Circular Scribbles

 

O Homem foi concebendo a ideia abstrata de tempo e, entre outras, representou-o numa forma geométrica circular. É disso exemplo o símbolo da eternidade, o Ouroboro (ou oroboro), representando uma serpente, ou um dragão, que morde a própria cauda formando assim um círculo. Ou em Nietzsche, que se debruça sobre um tempo circular, no Eterno Retorno, em que a sua formulação cosmológica é bastante simples, “Quem não acredita num processo circular do todo tem de acreditar no Deus voluntário criador de tudo a partir do nada num determinado momento“ Nietzsche, Vontade de Poder. Nietzsche, ao declarar a morte de Deus, encontrou no tempo esse processo circular, sem inicio nem fim.

Nestes trabalhos de figuras circulares, não arranjando um termo mais pomposo para os denominar, também eu faço uma ligação entre o círculo e o tempo. A vida do Homem está sustentada no tempo, colocamos o nosso viver num espaço-tempo e atribuímos-lhe o circulo como figura representativa. O Homem e a Natureza nascem, crescem e morrem, e este processo repete-se infinitas vezes. O tempo que nós criamos tem dias, meses, anos, que se repetem; tempo infinito e repetitivo para nós, enquanto seres vivos deste universo cheio de coisas a acontecer. Mas, para cada um de nós, indivíduos com uma identidade própria, o tempo é uma linha com início, meio e fim que não se repete, que é finito e não vai para além da nossa existência física, o que faz questionar a nossa vivência no círculo.


 

Man conceived the abstract idea of time and, among others, represented it in a circular geometric form. An example of that is the symbol of eternity, Ouroboros, representing a serpent, or a dragon, which bites its own tail thus forming a circle. Or in Nietzsche, who dwells on a circular time, the Eternal Return, whose cosmological formulation is quite simple: “Those who do not believe in a circular process of the whole must believe in the voluntary God who creates everything from nothing in a given moment”, F. Nietzsche, Will to Power. Nietzsche, by declaring the death of God, found in time this circular process, without beginning or end.

In these works of circular figures, for lack of a fancier term to name them, I also make a connection between the circle and time. Man’s life is grounded in time, we place our living in a space-time and we attribute the circle to it as its representative shape. Man and Nature are born, grow and die, and this process repeats itself endlessly. The time we have created has days, months, years, which repeat themselves; infinite and repetitive time for us, as living beings in this universe full of events. But for each of us, individuals with their own identity, time is a line with a beginning, middle and end that does not repeat itself, which is finite and does not go beyond our physical existence, which makes us question our living in the circle.